Uma das obras mais perturbadoras da história do cinema, provoca até hoje a ira em muitos de seus espectadores. Baseado livremente em histórias de Marquês de Sade ("Círculo de Manias", "Círculo da Merda" e "Círculo do Sangue"), passa-se na Itália controlada pelos nazis, onde quatro libertários fascistas sequestram 16 jovens e os aprisionam em uma mansão com guardas. A partir daí, eles passam a ser usados como fonte de prazer, masoquismo e morte.
O fascismo é explorado em todas as vertentes possíveis. O espaço fechado da mansão, a lei escrita - e reescrita - a belo prazer pelos Senhores, o domínio absoluto sobre o "povo", a exigência total da conformidade dos comportamentos aos desejos dos dominadores, a censura, a denúncia e o colaboracionismo. Quanto à censura, não deixa de ser curioso - e por outro lado, algo óbvio - que a forma com que Pasolini fez revestir o filme tenha despertado tais ódios e perseguições, de pessoas que quiseram proibir exibições e até destruir negativos. Ainda hoje «Salò» está banido em alguns países.
Nada aconselhável a pessoas bastante influenciáveis. Dizem que Pasolini foi assassinado por causa deste filme, mas é uma obra de arte.
Marina de Van, que já havia escrito argumentos juntamente com François Ozon (“Sous le sable” e “8 Femmes”, entre outros), supera todas as expectativas na sua longa-metragem de estreia.
Após um acidente que rasga violentamente a sua pele, uma mulher adquire uma crescente obsessão com o seu próprio corpo, filmada sem nenhuma sutileza na película. Carne e sangue são explorados com a maior calma no filme, em cenas longas e perturbadoras que formam uma apaixonante antítese da violência tradicional.
Um filme bastante perturbante, que é um dos melhores exemplos deste cinema extremista Francês. Também muito difícil de ser encontrado por aí.
Ele é o tipo de polícia que rouba drogas de um cadáver, o tipo de pai que alimenta a sua dependência das drogas em vez da família...
O seu crachá não significa nada para ele, a não ser o direito que lhe dá de se comportar como os criminosos que deveria perseguir. A raiva feroz que existe por detrás da sua personalidade é ainda alimentada pela sua dependência da heroína, do crack e do álcool. Mas quando uma jovem freira é violada no altar de uma igreja do bairro, este polícia sem lei (Harvey Keitel) é atraído pelo seu caso e por uma derradeira e desesperada tentativa de encontrar os verdadeiros caminhos do poder da misericórdia.
É um cinema de extremos, onde as portas para o céu e para o inferno ficam frente a frente no corredor do purgatório. E o que parece impressionante num momento, como a cena de abertura, quando, depois de deixar seus filhos na porta da escola, com o carro ainda parado em fila dupla, o Tenente viciado e desamparado puxa um papelote de coca pra cheirar, acaba se tornando uma imagem corriqueira depois de outra, e mais outra, e mais outra tão ou mais intensas vêm pra enterrar os conceitos de limites que construímos para o próprio filme.
Ao mesmo passo que Abel Ferrara fotografa uma verdadeira descida ao inferno, onde o mal é combatido com o mal e o bem fica muito mais como uma grande ilusão intelectual, Ferrara transforma este Bad Lieutenant num filme de dupla personalidade – mas sem distingui-las jamais. E tudo não passa de um reflexo da própria condição do protagonista, que em sua doença esconde todo o penar que lhe castiga, mas que permanece sufocando e matando por dentro – e é uma tremenda maldade que a exteriorização disso tudo seja feita justamente quando consegue liberar seus demónios, tanto na cena da igreja, onde imagina Jesus Cristo e implora-lhe perdão, quanto na própria acção de libertar das consequências aqueles jovens criminosos que estupram a freira – num misto de boa e má acção, o que não poderia ser mais fiel à dualidade de sentimentos que fazem dele um dos anti-heróis mais complexos do cinema.
E essa grande ilusão entre o castigo e a redenção – que em muitos momentos é tratada como tal, principalmente na construção de toda a atmosfera onírica evocada por um ou outro elemento de cena, quase sempre a iluminação – é registada com uma frieza assustadora, como se o próprio personagem impusesse à câmara os limites para a dissecação de sua dor e de seu mergulho predestinado ao afogamento.
E ainda assim o filme consegue ser de uma intensidade dominadora, e talvez seja por isso que o final, totalmente traiçoeiro, deixe uma sensação tão desconfortável, ainda que seja sabido que a própria acção nada mais é do que uma concretização daquilo que o homem havia tentado fazer consigo o filme todo, só que não conseguia por a acção vir de dentro, de um ponto que já não acompanhava mais aquela caminhada desorientada e, portanto, não respondia.
Agentes especiais da CIA após serem traídos por colegas, pretendem juntar suas forças para se vingar daqueles que queriam vê-los mortos. O filme é uma adaptação da BD escrita por Andy Diggle.
Delicatessen é um filme francês, lançado em 1991, dirigido por Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro
Trata-se de uma comédia de humor negro a qual retrata um futuro onde a comida é tão escassa que acaba sendo usada como moeda de troca. O enredo do filme concentra-se em um prédio em que o proprietário assassina seus inquilinos para que possa vender sua carne e garantir sua sobrevivência.
O filme conta a história de Daniel Balint, um brilhante mas problemático estudante de um Yeshivá Judeu que se torna um violento e fanático neo-nazista em Nova York, em torno dos 20 anos de idade. O filme expões as contradições do jovem com a sua história religiosa e étnica, ligadas diretamente ao judaísmo, com o seu anti-semitismo.
Um prenda aqui do Bilhardas para os meus fieis seguidores :)
Sinopse
Zé Galinha, agente federal «undercover», investiga Aduzer, um dos grandes chefes do crime organizado mundial. Ao aceitar uma encomenda de 32 carros,com destino ao Brasil e Israel, Zé Galinha começa a perder a noção dos padrões estabelecidos pela lei. No meio da investigação, Zé Galinha rouba acidentalmente o carro do chefe da máfia russa, Dimitri Kruchev, com um programa de acesso à rede informática mundial no seu interior. Sousa e Meireles, agentes da Polícia Judiciária, investigam os russos e envolvem-se todos em perseguições de carros a alta velocidade, num jogo perigoso e frenético.
Em um futuro não muito distante, Nemo Nobody tem 120 anos de idade e é o último mortal a conviver com as pessoas imortais. Durante esse período, ele relembra os seus anos reais e imaginários de casamento..
Durante a ocupação de Bagdad pelos EUA, em 2003, o Sargento Roy Miller e a sua equipa de inspectores do exército são destacados para localizar armas de destruição massiva no deserto do Iraque, onde se previa estarem armazenadas. Inspeccionando os mais armadilhados e traiçoeiros lugares, a equipa procura agentes químicos mortais mas, em vez disso, deparara-se com um elaborado esquema que inverte o objectivo da sua missão…
Arthur Poppington (Woody Harrelson), é um homem comum que acredita ser um super-herói e que tem uma personalidade secreta , à qual diz ser o “Defendor”.
Ele patrulha as ruas da cidade à noite em busca do seu inimigo que é um traficante de drogas e armas a quem ele culpa pela morte da sua mãe.
Armado com uma artilharia não convencional e sem medo de arriscar a própria vida, Defendor prova que qualquer pessoa é capaz de fazer a diferença.
"La Haine", de Mathieu Kassovitz, é um filme polémico, devido à exposição do fenómeno da violência urbana, em particular a dos bairros degradados da periferia. Os protagonistas são três jovens de origem étnica diferente, um judeu, um árabe e um negro, que vivem nos subúrbios de Paris. Nessa noite, no bairro onde moram, houve distúrbios e um dos polícias perdeu o controlo da situação. Em consequência, Abdel (Abdel Ahmed Ghili), um amigo deles, foi brutalmente espancado e está às portas da morte. Vinz (Vincent Cassel) e os seus dois amigos, Said (Saïd Taghmaoui) e Hubert (Hubert Koundé), não têm nada para fazer e para passar o tempo, deambulam por Paris... Vinz jura que, se Abdel morrer, mata o polícia. Mathieu Kassovitz ganhou o prémio de melhor realizador do festival de Cannes de 1995. Para além disso, ainda recebeu o César de melhor montagem (com Scott Stevenson), melhor filme e o de melhor produtor (Christophe Rossignon). Como curiosidade, diga-se que Kassovitz, que também é actor, foi o protagonista de "Amélie Poulain".
Muitas vezes os filmes devem ser avaliados não pela sua qualidade intrínseca mas sim pela sua relação custo-benefício. Quando olhamos para um filme como este devemos ter sempre presente que o seu orçamento não atinge 1% do montante investido em alguns filmes, mesmo se tivermos em conta que estávamos em 1989. Mais, arrisco a dizer que, o orçamento é bem inferior ao de muitas obras nacionais que, nem por sombras, atingem a qualidade do filme de Steven Soderbergh.
Para os menos conhecedores Soderbergh é o realizador de obras como Erin Brockovich, Traffic, Ocean's Eleven e as suas sequelas, The Good German, etc., etc.
Porém, há 20 anos atrás, o agora famosíssimo realizador, foi o vencedor da Palma de Ouro de Cannes com a sua obra de estreia, precisamente, Sex, Lies, and Videotape.
Com um orçamento diminuto, o realizador e argumentista norte-americano construiu uma narrativa hipnotizante, sensual mas ao mesmo tempo dúbia e agressiva (especialmente se tivermos em conta que mesmo em finais da década de 80 o sexo era uma temática difícil no cinema). Apenas com 4 actores, James Spader, Andie MacDonnal, Peter Galhager e Laura San Giacomo, e recorrendo a meia-dúzia de cenários, Soderbergh demonstrou que não eram necessários grandes orçamentos para apresentar filmes de qualidade, basta a imaginação e o engenho do argumento e da realização para estarmos perante uma obra de valor inquestionável.
Não bastasse o seu valor intrínseco, esta sua pequeníssima obra-prima, fica ainda na história como uma das grandes responsáveis pela revitalização do chamado cinema independente (reduzido orçamento > qualidade superior) norte-americano. Quanto ao seu responsável, ele teve de esperar praticamente 10 anos até que lhe fosse reconhecido o valor devido, sobretudo após as obras mencionadas anteriormente.
Voltando ao filme, este acompanha bem de perto as disfuncionalidades de um casal tipicamente norte-americano, John e Ann (Galagher e MacDowell), ele um advogado de sucesso e ela uma dona de casa insatisfeita, e os efeitos na sua relação que terá a chegada de Graham (Spader), um antigo amigo de John. Ele juntamente com a irmã de Ann (Giacomo) irão por a nu todas as lacunas do seu relacionamento, sobretudo ao nível do seu comportamento sexual.
Está longe de ser um filme para todos os gostos porém, é uma obra que marcou a sua época e que (re)abriu as portas ao cinema alternativo de qualidade.
A infância de Lawrence Talbot terminou na noite da morte da sua mãe. Após deixar o adormecido vilarejo Vitoriano de Blackmoor, passou décadas a tentar recuperar e esquecer o sucedido. Mas quando a noiva do seu irmão, Gwen Conliffe, o procura para a ajudar a encontrar o seu amor desaparecido, Talbot regressa a casa para ajudar nas buscas. Descobre, então, que algo de força bruta e sedento de sangue tem vindo a matar os aldeãos e que um desconfiado inspector da Scotland Yard chamado Aberline foi chamado para investigar o caso. Quando as peças começam a formar o terrível puzzle, Talbot ouve falar de uma maldição antiga que transforma os desesperados em lobisomens aquando da Lua Cheia. Agora, de modo a parar a chacina e proteger a mulher que ele aprendeu a amar, Talbot tem de matar a maligna criatura que se esconde nos bosques que circundam Blackmoor. Mas enquanto procura o terrível monstro, um simples homem com um passado atormentado irá revelar um lado primitivo, que nem imaginava existir.
A biografia de Ian Dury, que foi atingida com a poliomielite em uma idade jovem e superou as expectativas, tornando-se uma das fundadoras da cena Punk Rock na Grã-Bretanha na década de 1970.
El secreto de sus ojos, é um filme argentino de 2009, do gênero drama, dirigido por Juan José Campanella e baseado no livro La pregunta de sus ojos, de Eduardo Sacheri. Fazem parte do elenco os actores Ricardo Darín, Soledad Villamil, Javier Godino, Guillermo Francella e Pablo Rago. O filme venceu o Prêmio Goya de melhor filme do ano e o Oscar de melhor filme estrangeiro.
* É apenas um ficheiro que está dividido em 2, quando já tiverem as duas partes, é só descomprimir a 1ª que a 2ª é automática, ficando no final apenas 1 ficheiro.
O enredo do filme gira à volta dum grupo de estudantes de medecina noruegueses que vão passar as férias da Páscoa num abrigo de montanha. Pelo azar das coincidências a área onde eles estão foi usada pelos Nazis durante a ocupação da Noruega na 2ª Guerra Mundial.
Os Nazis violaram e pilharem as populações locais e roubaram o seu ouro , estes acabaram por perseguir os Nazis até ao cimo da montanha , onde estes congelaram até à morte. Os estudantes de medecina encontram no abrigo uma caixa com ouro e este pertence aos Nazis , como resultado Zombies Nazis voltam para recuperar o seu ouro.
O filme conta com as interpretações de Vegard Hoel, Stig Frode Henriksen, Charlotte Frogner, Jenny Skavlan, e Jeppe Beck Laursen.
Na década de 20, David Aaronson (Robert De Niro) e Maximillian Bercouicz (James Woods), dois amigos de descendência judaica, crescem juntos cometendo pequenos crimes nas ruas do Lower East Side, Nova York. Gradualmente estes crimes assumem proporções maiores e a Máfia judaica passa a ter tanta força que os amigos do passado se tornam rivais. Esta saga percorre desde seus dias de infância, atravessa o apogeu durante a Lei Seca e retrata o reencontro deles após 35 anos.
O polaco Krzysztof Kieslowski (falecido em 1996, pouco depois de anunciar a sua retirada do cinema) foi um daqueles raríssimos realizadores que reunia um talento imenso a um conhecimento da linguagem cinematográfica igualmente gigantesco. A sua extensa cinematografia é mais conhecida pelos episódios da série para TV "Dekalog" , a trilogia das cores e o belíssimo A Dupla Vida de Véronique.
Os seus filmes fizeram sensação em festivais no final dos anos 80, e este Krótki Film o Milosci (A Short Film About Love), ganhou por exemplo o prémio do público na Mostra Internacional de Cannes em 1989.
A história não poderia ser mais simples: o jovem Tomek, de 19 anos, vive num grande condomínio de prédios da Polónia comunista, com a avó de um amigo. Ele observa a vizinha, Magda, à distância, com o seu monóculo. Magda é uma mulher madura de vida sexual activa e existência afectiva aparentemente complicada. Tomek trabalha nos correios e envia avisos falsos de chegada de encomendas para que Magda vá visitá-lo na agência, na esperança de que ela lhe dirija uma palavra. Quase todo o filme se desenvolve nestes poucos cenários: os dois apartamentos, a agência dos correios e um hospital. Deste pequeno grupo de cenários, Kieslowski consegue fazer uma obra-prima.
Krótki Film o Milosci (A Short Film About Love) é um filme delicado, reverente, silencioso, que varia entre os momentos de ternura e a violência do desejo. Como no clássico Rear Window (Hitchcock), é também um exercício de voyeurismo cinematográfico fascinante, em que somos atraídos para a história tornando-nos cúmplices da própria curiosidade da sua personagem principal.
Krótki Film o Milosci” era originalmente parte da épica mini-série de TV “Dekalog". Dois destes filmes (este e “Krótki film o zabijaniu (A Short Film About Killing”) foram lançados como filmes no cinema em versões estendidas. Imperdível.